As Grandes Corporações e as Transnacionais – Trustes, Holdings e Cartéis

Hoje há grandes empresas que atuam ao redor do mundo, como as transnacionais. Essas corporações geralmente têm sede em um país com maior desenvolvimento e filiais distribuídas por outros países. Elas podem ser de diversos ramos: montadoras de automóveis, petrolíferas, indústrias de bebidas, empresas de fast-food, de roupas esportivas, entre outros.

Os países onde são instaladas suas filiais oferecem uma série de vantagens que reduzem o custo de fabricação das mercadorias, como mão de obra e matérias-primas baratas. Em troca, as transnacionais oferecem emprego e geração de renda local. No entanto, as decisões dessas empresas são tomadas na sede, e os direitos dos trabalhadores nos países que recebem as filiais, em geral, são mais restritos que nos países ricos.

A expansão das transnacionais ampliou a produção em escala global e o comércio mundial de mercadorias e de serviços. Por vezes, o faturamento dessas empresas globais é maior do que o Produto Interno Bruto (PIB) de muitos países, o que lhes confere grande poder de influência sobre os governos nacionais.

Vídeo explicativo sobre o Produto Interno Bruto (IBGE)

A influência das transnacionais na economia global

A globalização do capital e a produção permitiu expandir e consolidar a influência das empresas transnacionais na economia global.

A expansão e a consolidação das transnacionais ocorreram principalmente após a Segunda Guerra Mundial, quando essas empresas, que geralmente atuavam nos países com maior desenvolvimento, passaram a investir em países em desenvolvimento emergente. Além de encontrar matérias-primas e mão de obra baratas e abundantes, havia uma busca por sistemas fiscais favoráveis, legislações trabalhistas e ambientais moderadas ou inexistentes, economia de impostos por meio de estratégias fiscais, mercados consumidores em potencial e energia de baixo custo.

Na atualidade, além das empresas transnacionais dos países com maior desenvolvimento, existem milhares de empresas com sede em outros países, por exemplo sul-coreanas, indianas, mexicanas e brasileiras. As empresas transnacionais concentram um poder capaz de influenciar governos nacionais e condicionar relações entre países.

Em razão do poderio econômico das transnacionais na economia global, é cada vez mais difícil para os governos estabelecer regras para a atuação dessas empresas

Transnacionais versus multinacionais

As empresas podem ser transnacionais ou multinacionais, vejamos no vídeo a seguir a diferença entre elas:

Transnacionais: concorrência e parceria

Duas características atuais do processo de transnacionalização das empresas são a concorrência e, ao mesmo tempo, a cooperação entre elas, por meio da formação de trustes, holdings e cartéis.

Truste

É a fusão e incorporação de empresas para dominar determinada oferta de produtos e serviços. Um exemplo é o grupo Time-Warner, gigante da área de comunicações.

Conglomerado de empresas de mídia

Holding

É uma empresa criada para administrar diversas empresas, formando-se um grupo. A holding possui a maioria das ações do grupo. A empresa chinesa de energia elétrica State Grid é um exemplo de holding, que, a propósito, vem se expandindo ao redor do mundo. Em 2018, por exemplo, dera detentora de 12 concessionárias brasileiras de transmissão de energia, o que evidencia a ascensão chinesa no atual cenário econômico internacional. Na imagem abaixo você poderá ver outros exemplos de holdings no mundo, como Kraft Heinz (alimentos) ou Coca-Cola (bebidas):

Conglomerados de empresas de bens de consumo

O vídeo abaixo trabalha a abrangência e o poder das grandes corporações mundiais no atual processo de globalização, bem como suas formas de organização, assim como também exemplifica o funcionamento de uma holding.

Cartel

É uma associação ou combinação entre empresas, em geral de um mesmo segmento, para garantir o controle da produção e dos preços. Cada empresa conserva sua administração independente.

Crises econômicas e globalização

Com a crescente integração e dependência entre os países, caso ocorra uma recessão econômica em um país ou em um grupo de países, principalmente as potências políticas e econômicas (EUA e União Europeia), o mundo inteiro pode sofrer as consequências.

Podemos citar o exemplo da crise financeira iniciada em 2008, nos Estados Unidos. Famílias empobrecidas não conseguiam mais pagar o financiamento de imóveis, o que levou à redução dos valores dos títulos de alguns bancos estadunidenses. Como consequência, esses bancos foram à falência. Houve também a redução dos investimentos, associada à insegurança de investidores, o que desacelerou a economia internacional, em um processo que se refletiu fortemente na Europa e ainda mais em outros países de economia mais fraca. No Reino Unido, por exemplo, um grande número de imóveis foi posto à venda em consequência da crise iniciada nos Estados Unidos.

A crise gerou a queda no poder de compra, o que estimulou o aumento do desemprego, e o setor público dos países atingidos passou a adotar estratégias para redução dos gastos.

Como sugestão de entender as questões acima mencionadas, recomendamos o filme “A Grande Aposta” (The Big Short), dirigido por Adam McKay. Assista o trailer do filme no reprodutor de mídia abaixo:

Trailer filme “A Grande Aposta”

Sinopse

Michael Burry (Christian Bale) é o dono de uma empresa de médio porte, que decide investir muito dinheiro do fundo que coordena ao apostar que o sistema imobiliário nos Estados Unidos irá quebrar em breve. Tal decisão gera complicações junto aos investidores, já que nunca antes alguém havia apostado contra o sistema e levado vantagem. Ao saber destes investimentos, o corretor Jared Vennett (Ryan Gosling) percebe a oportunidade e passa a oferecê-la a seus clientes. Um deles é Mark Baum (Steve Carell), o dono de uma corretora que enfrenta problemas pessoais desde que seu irmão se suicidou. Paralelamente, dois iniciantes na Bolsa de Valores percebem que podem ganhar muito dinheiro ao apostar na crise imobiliária e, para tanto, pedem ajuda a um guru de Wall Street, Ben Rickert (Brad Pitt), que vive recluso.

Referências

Araribá Mais Geografia. Dellore, Cesar Brumini. 1. ed. – São Paulo: Moderna, 2018.

Habilidades da BNCC contempladas:

(EF09GE05) Analisar fatos e situações para compreender a integração mundial (econômica, política e cultural), comparando as diferentes interpretações: globalização e mundialização.

(EF09GE10) Analisar os impactos do processo de industrialização na produção e circulação de produtos e culturas na Europa, na Ásia e na Oceania.

(EF09GE11) Relacionar as mudanças técnicas e científicas decorrentes do processo de industrialização com as transformações no trabalho em diferentes regiões do mundo e suas
consequências no Brasil.

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