Análise de Impactos Ambientais de Fontes Energéticas

Você sabe quais são os impactos socioambientais causados por cada tipo de fonte energética?

Você sabia que cada novo projeto de oferta energética deve passar por uma análise socioambiental antes de sua execução?

Você quer aprender um pouco mais sobre os critérios utilizados nessas análises?

Então vamos lá!

Orientados pelo conceito de sustentabilidade, os estudos ambientais são desenvolvidos considerando as seguintes questões:

  • redução de impactos locais e globais na utilização das fontes de energia

  • uso de fontes renováveis

  • minimização dos impactos sobre a população e o meio ambiente

  • discussões nacionais e internacionais sobre as mudanças no clima

As análises socioambientais formuladas pela EPE (Empresa de Pesquisa Energética) compreendem três premissas, previstas no Plano Decenal de Expansão de Energia 2026 (PDE 2026):

  • Análise de cada fonte energética
  • Análise integrada
  • Análise das emissões de gases de efeito estufa (GEE)

Vejamos melhor na prática cada um deles…

 

Para você entenda melhor esses requisitos. Veja:

Com a análise de cada fonte energética busca evitar áreas sensíveis para implantação dos projetos

A análise integrada é necessária para dar preferência em projetos com menores impactos e maiores benefícios sociais, visando sempre uma gestão mais eficiente

Já a análise das emissões visa uma compatibilidade com o cenário nacional proposto para redução de emissões de gases estufa

 

Análise de cada fonte energética

Avalia as condições de como esses projetos podem interferir no meio ambiente natural e na sociedade que ali vive

Análise integrada

Com base na análise anterior, identifica as interferências potencias de cada fonte sobre as sensibilidades mais significantes de cada região brasileira. Isso permite uma visão conjunta da expansão da oferta de energia no país como um todo, facilitando aos gestores encontrar por soluções que vão de encontro aos desafios ambientais frente às demandas da sociedade.

Análise das emissões de GEE

decorrente das ofertas de energia desta categoria em nosso país, é uma forma de avaliar os resultados tomando como referência as negociações internacionais sobre o clima frente aos compromissos assumidos por nosso país

 

Análise Socioambiental de Fontes Energéticas

Vamos entender melhor sobre a oferta energética existente no território brasileiro, segundo dados da própria EPE.

 

Fontes Energia Elétrica

  • Hidrelétricas
  • Termelétricas
  • Eólicas
  • Solar

Vejamos a seguir os benefícios e possíveis impactos de cada uma dessas modalidades

 

Hidrelétricas

Benefícios

renovável, não implica em consumo da água após a geração da energia, baixo custo de operação, baixa emissão de GEE (CO2 e CH4), são eficientes no armazenamento de energia, possuem suporte de integração com fontes intermitentes

Sabia que?

Atualmente 80% da matriz energética brasileira é composta de fontes renováveis, sendo a hidroeletricidade responsável por 64% da potência instalada

 

Impactos ambientais

perda de vegetação nativa, transformação de ambiente lótico em lêntico (ou seja águas em movimento acabam ficando paradas após represamento), interferência em unidade de conservação

Impactos socioeconômicos

afeta populações ribeirinhas e terras indígenas

SABIA QUE?


As PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas) em geral alagam 3x menos área para obter a mesma quantidade de potência instalada que as grandes usinas

Para ser considerada uma PCH precisar apresentar potência entre 3 e 30MW e reservatório inferior a 13km²

 

Termelétricas

Benefícios

independe de variações climáticas, aumento da segurança energética no país, necessitam de áreas relativamente pequenas para operar

flexibilidade locacional —> podem ser acionadas ocasionalmente e estrategicamente frente a um período com déficit hídrico, por exemplo

outro fator interessante em termos logísticos é que se instaladas estrategicamente em áreas próximas aos centros de carga, reduz as perdas e impactos socioambientais inerentes a extensas linhas de transmissão e pode ser instalada em áreas com menor sensibilidade socioambiental

Sabia Que?

Apesar dos esforços para manter uma matriz energética com baixa emissão de GEE baseados em recursos hídricos, solares e eólicos, ainda não é possível renunciar ao emprego das termelétricas de fontes não renováveis

Impactos

  • risco de contaminação do meio ambiente e graves acidentes radioativos no caso das usinas termonucleares
  • altamente poluentes como no caso daquelas movidas por combustíveis fósseis

 

Panorama sobre as Fontes térmicas e possíveis impactos

Gás Natural – dentre os combustíveis fósseis é o menos poluente e com menor risco ambiental (se dispersa rapidamente em caso de vazamento)

Urânio – as usinas termonucleares não emitem diretamente gases poluentes, uma vez que o calor é proveniente da fissão nuclear. Outra vantagem é a grande disponibilidade e sua alta densidade energética, sendo necessárias pequenas quantidades para produção de bastante energia, facilitando o armazenamento e a logística. A desvantagem dessa matriz é que se trata de uma tecnologia de perigoso manuseio passível de acidentes com resíduos radioativos.

Carvão – é um combustível fóssil muito poluente, porém, o setor tem investido na busca de eficiência e redução dos impactos ambientais com o desenvolvimento das chamadas tecnologias limpas do carvão (clean coal techologies)

Biomassa – é uma energia renovável que contribui para diminuição das mudanças climáticas, uma vez que o balanço de emissão de CO2 é nulo, por conta do processo de fotossíntese da planta.  A maior parte dos combustíveis tem origem residual, como bagaço de cana, casca de arroz, resíduos da indústria de papel e celulose e resíduos de madeira

Sabia que?

A maior parte da bioeletricidade gerada no Brasil provém da queima do bagaço de cana nas usinas de açúcar e etanol.

Eólica

O Brasil apresenta grande potencial de aproveitamento de energia eólica para geração elétrica, especialmente nos litorais nordeste e sul. Apesar de apresentarem um perfil de oferta variável ao longo do dia (intermitência), servem para minimizar o uso da água para geração hidrelétrica em períodos de estiagem. Além do mais, apresenta uma boa alternativa também quando empregada em complementaridade com a fonte solar, a partir da implantação de parques híbridos eólico-solar.

Benefícios

  • Energia limpa
  • Grande potencial em área litorâneas
  • Pode minimizar o uso da água na geração hidrelétrica em períodos de estiagem
  • Boa alternativa quando empregada em complementaridade com a fonte solar, em parques híbridos eólicos-solares

 

Impactos socioambientais

Os impactos negativos associados à geração eólica são classificados como baixos, mas não podemos desconsiderá-los:

  • interferência na flora e na fauna por alteração na cobertura vegetal
  • interferência direta na fauna, por conta da colisão de aves com as pás dos aerogeradores, especialmente em áreas localizadas próximos às rotas de migração (devido a isso se faz necessário um estudo prévio dos hábitos da fauna local)
  • perturbação no trânsito durante o transporte dos componentes dos aerogeradores
  • produção de ruído e alteração na paisagem

 

Sabia que?

Os impactos sobre a fauna e especialmente sobre aves migratórias mereceram destaque a partir de 2014, com a publicação da Resolução Conama 462 (Conselho Nacional do Meio Ambiente).

Vale ressaltar que o Relatório Anual de Rotas e Áreas de Concentração de Aves Migratórias no Brasil (MMA – Ministério de Minas e Energia, 2016) recomenda que a instalação de parques eólicos seja realizada em paisagens previamente ocupadas, seja por agricultura, pasto ou outras atividades já em desenvolvimento, evitando-se assim a implantação em paisagens não antropizadas.

Sabia que?

92% da potência eólica instalada no Brasil está concentrada em parques localizados na região Nordeste.

 

Solar

Sem dúvida a energia solar apresenta inúmeros benefícios, tanto em se tratando da captação térmica do calor do sol para aquecimento quando dos painéis fotovoltaicos para energia elétrica.

O sol é abundante, acessível e sem custo e no Brasil existe grande potencial por se tratar de um país tropical.

Outro ponto chave é que a geração fotovoltaica possui grande flexibilidade locacional, principalmente no caso da geração distribuída (facilidade de instalação, dado ao curto tempo necessário para execução dos projetos aliado às baixas perdas elétricas e impactos socioambientais quase nulos)

A participação da energia solar na matriz energética mundial continua em uma trajetória de expansão acelerada.

 

Os impactos que as usinas solares podem causar dizem respeito ao uso e ocupação do solo, ou em certos casos podem demandar a remoção significativa de vegetação, sendo fundamental uma gestão pública responsável para minimização dos efeitos negativos deste tipo de empreendimento.

 

Sabia que?

Segundo estimativas, do ano de  2017 a 2022, 30 mil painéis solares seriam instalados a cada hora.

A energia fotovoltaica representa aproximadamente 99% das unidades consumidoras com geração distribuída no Brasil, sendo região Sudeste a que concentra maior número delas.

 

Fonte consultada:

NT DEA 015_17.pdf (epe.gov.br)

FONTES DE ENERGIA (epe.gov.br)

Publicações (epe.gov.br)

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